Terça-feira, 2 de Março de 2010
ANULAR A CONSCIÊNCIA.Francesco Alberoni

 

AINDA NOS APAIXONAMOS, NA MODERNIDADE LÍQUIDA?

Francesco Alberoni

In, I, hoje

 

Que sociólogos descreveram as características específicas da nossa época? Christopher Lasch, no livro "The Culture of Narcisism", demonstrou que homens e mulheres dão sempre mais importância a si próprios, ao seu próprio corpo, à sua própria beleza. É um fenómeno que se manifesta com o culturismo, os centros de bem-estar e as palestras, quase num renascimento do paganismo.

Depois, Poi Zygmut Bauman, com a feliz fórmula da modernidade líquida, salientou a fragilidade, o lado efémero das relações humanas em todos os sectores, do profissional ao amoroso. O enraizamento na pátria, na cidade, na empresa ou na família já não existe. Até a relação de casal é frágil, já não é cimentada na paixão, não dura e desfaz-se na promiscuidade.

O terceiro é o meu querido amigo Michel Maffesoli, que, no livro "A Sombra de Dionísio", salientou a emergência na sociedade moderna do desenfreamento dionisíaco. Começou com o rock, explodiu na orgia colectiva de Woodstock, é visível nas discotecas, na movida, nas rave parties, nas orgias cada vez mais frequentes onde, com álcool e drogas, os participantes anulam a consciência e a transformam num estado a que os antigos chamavam "místico" e actualmente, numa época secular, chamamos "eufórico". Depois, Maffesoli, no livro "O Tempo das Tribos", demonstrou que os homens modernos não formam comunidades fechadas ligadas ao território nem a grupos rígidos e disciplinados; associam- -se de modo livre, por afinidade de objectivos, gostos, sexo - muitas vezes em estruturas virtuais como as redes sociais, e formam tribos.

E eu, como contribuo para o conhecimento da modernidade? Salientei que ainda hoje se formam laços nos movimentos islâmicos, e em países como a China, a Índia, o Irão e o Brasil o sentimento nacional vem-se reforçando. Mesmo entre nós nem tudo é líquido: subsistem ainda laços sólidos que não queremos aceitar. No campo amoroso, propaga-se a sexualidade promíscua, mas ainda nos apaixonamos e ainda somos capazes de sentir uma grande paixão por uma única pessoa e também o ciúme mais torturante. O mundo contemporâneo já não é homogéneo; está dilacerado por um dualismo entre tudo o que é líquido, superficial, leve, artificioso, efémero e tudo o que é sólido, enraizado, profundo, autêntico, aquilo que muitas vezes não se exprime por palavras. Foi a esse mundo de inquietações e de esperança que tentei dar voz.

Sociólogo, escritor e jornalista
 

NR

Sublinhados nossos.

E por aqui, como vamos nesta coisa de ..."anular a consciência"?!



publicado por animo às 13:53
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