Terça-feira, 20 de Abril de 2010
JOSÉ GASPAR DOMINGUES LANÇA "ARAUTOS DO AMOR DE DEUS"

Lançamento da Obra “Arautos do Amor de Deus” 
 

No âmbito das comemorações do Dia do Município, a 19 de Setembro, a Biblioteca Municipal José Cardoso Pires recebeu o Lançamento do Livro “Arautos do Amor de Deus”, de José Gaspar Domingues, numa cerimónia que contou com a presença do autor da obra e da presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, Irene Barata. 

A autarca Vilarregense referiu-se à obra como “um livro que muito afectuosamente fala sobre o nosso concelho pois fala de muitos dos seus bons frutos ao serviço do Reino e da Palavra de Deus.”

Aproveitando a presença do bispo D. Ximenes Belo e da Embaixadora Indigitada da República Democrática de Timor-Leste em Portugal, Dr.ª Natália Carrascalão, Irene Barata deu o exemplo de dois padres Vilarregenses que tiveram importantes acções em Timor-Leste, adiantando ainda que espera que a obra “estreite os laços culturais entre Vila de Rei e Timor.” 

A apresentação da obra foi feita pelo professor António Manuel Martins da Silva, docente de História na Escola Básica – Secundária Pedro da Fonseca, em Proença-a-Nova que numa intervenção muito aplaudida referiu que “está bastante generalizada a ideia de que fazer História é uma tarefa de génios extraordinários que se dedicam de corpo e alma a uma tarefa hercúlea, própria de heróis.

Ora, a História é uma construção. Uma dupla construção, aliás. Por um lado, a História é uma construção feita por homens e mulheres, enquanto actores e protagonistas de acontecimentos; por outro, a História é uma construção, enquanto pesquisa, feita pelo historiador que vai tentar procurar a “verdade” do que aconteceu e construir a “sua” narrativa. 

Não se pense ainda que da investigação histórica tem de resultar necessariamente um trabalho global e afamado. O trabalho do historiador é frequentemente um trabalho desconhecido, paciente e discreto. Para se chegar às sínteses e ao conhecimento global, é necessário passar pelo pormenor, pelas “migalhas”, no dizer de Jacques LEGOFF (1977).

O trabalho que hoje aqui venho apresentar, “ ARAUTOS DO AMOR DE DEUS”, é uma investigação feita por alguém que não é propriamente um historiador, no conceito restrito do termo, e o objecto do estudo é um conjunto de pessoas, naturais do concelho de Vila de Rei, ligadas à religião e à Igreja Católica que, só excepcionalmente, atingiram alguma relevância nacional. Mas não é por isso que o trabalho deve deixar de ser valorizado e divulgado. Por duas razões.

A primeira, porque não se conseguem grandes sínteses históricas sem antes se construir a “petit histoire”, a história dos indivíduos, das comunidades, das profissões... “ Em cada página uma vitória. Quem cozinhava os festins? Em cada década um grande homem. Quem pagava as despesas?”, perguntava o operário letrado de Bertolt BRECHT.

A segunda, porque, hoje, quando o mundo se mostra cada vez mais uniforme, mais normalizado e mais globalizado, se as comunidades locais quiserem preservar a sua identidade, e só assim se poderão afirmar e sobreviver, têm que procurar as suas raízes e construir a partir delas os seus modelos. É isso que esta obra vem ajudar a fazer. Ela insere-se no que parece ser um plano mais vasto que, paulatinamente e sem dar muito nas vistas, a Câmara Municipal de Vila de Rei vem concretizando. Nunca falei com a Senhora Presidente Irene Barata sobre o tema, mas arrisco afirmar que ela há muito percebeu que o futuro que ela quer ajudar a construir para o seu concelho será mais sólido se for construído nos alicerces do passado e cimentado na identidade histórica do concelho e das suas gentes.

Provavelmente a maioria dos presentes ainda não teve a oportunidade de ler “ARAUTOS DO AMOR DE DEUS”. Tem de o fazer muito rapidamente porque não imaginam a riqueza que estão a desperdiçar.

Pediram-me que apresentasse aqui, em traços muito gerais, uma mui breve sinopse desta obra do Dr. José Gaspar Domingues. Que querem que vos diga nos 15 minutos que me atribuíram? Ele há tanto para dizer! Comecemos, então, sem mais divagações.

“ ARAUTOS DO AMOR DE DEUS”. Na Idade Média, arautos eram oficiais, funcionários régios, encarregues de missões secretas, das proclamações solenes, dos anúncios públicos de paz ou de guerra e informadores dos sucessos das batalhas… Hoje, arauto é aquele que é portador de uma mensagem, aquele que anuncia, um embaixador… É neste sentido que nos aparecem estes homens e estas mulheres nascidas em Vila de Rei e que o autor nos relembra nesta sua obra: arautos do amor de Deus.

            As 235 páginas do trabalho de José Gaspar Domingues ajudam a fazer luz sobre o clero nascido no concelho de Vila de Rei. Alguns atingiram altos cargos eclesiásticos, outros, na humildade das suas tarefas, não foram menos dignos de figurarem na galeria dos ilustres vilaregenses que honraram a terra que os viu nascer.

            Agrupados por freguesias de nascimento, são-nos presentes 33 individualidades naturais da freguesia da Fundada, 25 da freguesia de S. João do Peso e 75 da freguesia de Vila de Vila de Rei, num total de 133 sacerdotes, frades, irmãos, irmãs, simples leigos e leigas que em Portugal, ou fora dele, deram o melhor das suas vidas e do seu saber à causa da religião católica e à humanidade. Parafraseando o grande jesuíta António VIEIRA, de muitos deles se poderia afirmar que “para nascer Vila de Rei; para viver, o Mundo” tal foi o seu percurso pelos quatro cantos do planeta. Vamos encontrá-los em Angola, Zâmbia, Africa do Sul, Itália, Timor, Espanha, Brasil, Índia, Quénia, Goa, S. Tomé e Príncipe, Macau, China, Europa…

            Vemo-los pertencentes a várias congregações e ordens religiosas. Descobrimos padres diocesanos, salesianos, espiritanos, missionários da Consolata, da Boa Nova, frades regrantes de Santo Agostinho, franciscanos, dominicanos, carmelitas, sacerdotes jesuítas e padres seculares de Cernache do Bonjardim. Cada uma destas congregações procurava cumprir uma missão específica e cada um destes nossos conterrâneos desempenhou uma tarefa individual e insubstituível. A sua.

             A lista inicia-se com um jesuíta que, em 1568, foi um dos primeiros portugueses a integrar a nóvel Companhia. Os séculos XIX e XX fornecem o grosso dos elementos. Alguns continuam vivos e a trabalhar.

            Foram diversas as actividades em que os vemos entusiasmados e entusiasmantes. Muitos, talvez a maioria, não se dedicaram apenas ao múnus religioso e evangelizador. Encontramo-los intelectuais e professores reconhecidos em Universidades, em colégios e escolas secundárias ou em simples escolas de aldeias no interior de Portugal ou na mais recôndita missão africana ou timorense. Encontramo-los em missão de assistência social e humanitária nas mais carenciadas das regiões do globo. Encontramo-los nas redacções das melhores revistas literárias e científicas, produzindo crítica e literatura ou escrevendo monografias históricas e textos teológicos ou doutrinários. Encontramo-los ao lado de arquitectos, engenheiros e operários, incentivando o levantamento de igrejas, catedrais e bairros sociais. Encontramo-los nas mais escondidas das aldeias portuguesas, fazendo uso dos seus dotes extra-sensoriais, ajudando as populações mais humildes na resolução dos mais extraordinários problemas concretos. Enfim, encontramo-los onde se encontram as pessoas, sempre procurando ser úteis. Úteis à Santa Madre Igreja, úteis à sua Pátria e à sua terra, úteis à sua família e ao seu próximo.

            Encontrar informação disponível em tempo útil não deve ter sido fácil. Sei por experiência própria a paciência que é necessária para pesquisar bibliografia, encontrar as fontes, ter acesso aos arquivos, interpretar os documentos, falar com as pessoas que ainda conservam memórias… É muito difícil. E que me perdoem a franqueza, mas é verdade pura, pede-se paciência a dobrar quando o objecto em estudo se relaciona com a Igreja. Não por qualquer motivo estranho, mas pela simples razão que aquela instituição tem acumulado ao longo dos séculos muitas razões de queixa daqueles que, de má fé, lhe invadiram os arquivos e os registos e lhe adulteraram a memória.

Contudo, não foi este o caso como se pode comprovar pelo acesso aos arquivos fotográficos do Seminário de Alcains, ao Arquivo da Câmara Eclesiástica de Portalegre. (Assentamento do Clero) e pela colaboração do Reverendo Bispo de Portalegre-Castelo Branco, D. Antonino Dias, que enriqueceu a obra com a apresentação do Prefácio.

A garantia da seriedade da pesquisa está bem patente, aliás, nas 13 obras consultadas, nos 6 jornais e revistas pesquisados, nos 5 sítios web visitados – três do Vaticano – e nos 3 arquivos calcorreados.

E, se outros méritos não existissem, só a divulgação de tão grande quantidade de documentos originais constituiria mais valia suficiente para justificar a edição desta obra. Chamo a atenção para a necessidade de uma leitura atenta dos inúmeros documentos reproduzidos os quais nos ajudam a penetrar mais intimamente no espírito da narrativa.

 

 

Por tudo isto “ARAUTOS DO AMOR DE DEUS” passam a ser uma obra de referência na historiografia do concelho de Vila de Rei.

Termino com três particularidades. A primeira para dizer da minha satisfação enorme em colaborar na construção do texto sobre o Padre Sebastião José Aparício da Silva, missionário em Soibada – Timor que lá criou uma missão que, quando a visitei, me fez estremecer de emoção de tal forma me fez lembrar uma qualquer aldeia de xisto do concelho de Vila de Rei. Poucos presentes fazem ideia do que representou o colégio de Soibada na educação da juventude timorense. Uma segunda referência para dar a conhecer o meu espanto ao perceber que o Cónego Manuel Filipe Laranjeira era, nem mais nem menos, o padre pequenito que me baptizou na capela de S. Jacinto dos Vales de Cardigos no já, para mim, longínquo ano de 1955. Finalmente, e a mais relevante, para referir que ainda bem que o autor não se lembrou de um pequeno grande pormenor relativamente a um enorme vulto da Igreja portuguesa, da Companhia de Jesus e das ciências portugueses que viu a luz do dia numa porção de terra que, à data do seu nascimento, pertencia ao concelho de Vila de Rei. Estou a referir-me ao ilustre cientista e botânico JOAQUIM DA SILVA TAVARES, nascido em 1866, nos Casais de São Bento, na freguesia de Cardigos e que tem erigido em sua memória um busto em lugar central naquela vila.

Só nos resta dar os parabéns ao DR. JOSÉ GASPAR DOMINGUES e à CÂMARA MUNICIPAL DE VILA DE REI, na pessoa da sua dinâmica Presidente, D.a IRENE BARATA e fazer votos para que que o modelo desta obra possa ser repicado com outros personagens e noutros lugares”.

 

 



publicado por animo às 07:31
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