Depois de ver e ler o que tem passado sobre a Justiça, decidi enviar aos meus amigos, em tempo de férias, para reflexão, um trecho do Livro: Notas de uma viagem a Portugal, de Heinrich Friedrich Link, da Biblioteca Nacional, com mais de 200 anos:
Pag. 245...
«Não posso deixar de contar um incidente que aqui nos sucedeu, pois dá uma ideia muito boa da justiça portuguesa. (viagem de Tomar para Santarém)...
Apareceram de imediato dois escrivães, em todo o país um género de pessoas que não vale muito, sendo também conhecido por isso mesmo, e exigiram-nos os passaportes. Nem sequer quiseram ver uma declaração do corregedor de Tomar, pois todos os forasteiros deveriam ter um passaporte passado pelo Intendente ou por um secretário de Estado. Ambos os homens andavam de um lado para o outro, falavam os dois em segredo, depois voltaram, em suma, eu reparei que eles queriam dinheiro, mas receei tornar-me suspeito se lho desse. Por fim revistaram as nossas bolsas, encontraram-me por azar uma faca afiada, que em Portugal é proíbida, e então ameaçaram-me com a prisão.Tudo isto não era a sério, deixaram-nos ir jantar em paz e só voltaram por volta das dez horas para nos levar ao juíz de fora. Este senhor tinha muitas visitas, mandou-nos esperar durante muito tempo na antecâmara, depois entrou, ouviu simplesmente o que os escrivães disseram, estão aqui estrangeiros que não têm o passaporte válido, e retorquiu sucintamente: para a prisão. .....
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O filho de um cidadão de Santarém disse-nos com um rosto cheio de medo: têm sorte, sabem porque aqui estão, mas eu não, talvez me mandem para soldado. ...
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Estes exemplos mostram quanto uma pessoa tem de se acautelar perante a justiça portuguesa e que especialmente os alcaides e os escrivães são um tipo de gente entre as quais há muitas pessoas malvadas. Era vulgar haver queixas deles. Também os juízes e os corregedores são por todo o lado acusados de parcialidade a favor dos nobres, mas tenho igualmente aqui de dizer em favor da nação que em ambos os casos relatados toda a gente tomou o nosso partido, todos nos lamentaram, todos procuraram mostrar amabilidade e não faltaram insultos às autoridades.
Extraído do livro:Notas de uma viagem a Portugal e através de França e Espanha, de Heinrich Friedrich Link, publicado pela Biblioteca Nacional em 2005. A viagem teve início em 1798.
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