Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011
JOÃO TORRES. RECORDAMOS, LOGO EXISTIMOS.

Gavião. Ano 1959.Alguém que corrija se nos enganamos!

 

 

 Alcains,24 Abril, 2010.Ano 1959!João Torres, primeiro à esquerda, na fila de trás.

 

Meu caro António Colaço
 
RECORDAMOS,LOGO EXISTIMOS.
Estou com sorte!Não posso deixar passar em vão esta foto do pessoal de 58 e notícias do estimado amigo Mendeiros,sem vos contar,daquilo que me recorda,a relação que tive com 3 dos camaradas deste grupo de Alcains:

NR-Senhoras e senhores, Mendeiros, himself, conduzindo estas...almas perdidas!Reparem nas sapatilhas, avançadas para a época!!!

 

 

O Mendeiros era o meu “Guru”!Todos nós sabemos,os mais próximos,que era um rapaz de extraordinárias qualidades humanas e intelectuais,mas esse não foi necessáriamente o critério exclusivo da minha selecção para “patrono”.Seduzia-me o seu ar altivo,particularmente sociável para com os mais novos,que era o meu caso,protector,qb,e,sobretudo,transmitindo uma imagem de segurança e afecto que nos envolvia emocionalmente e nos propiciava uma maior tranquilidade.No fundo,este quadro não deixa de ser mais um quadro daqueles que ainda hoje se constroem nas relações hierarquizadas da escola,onde cada um procura aquele ou aqueles que constituem suas referências e até os seus resguardos.São quadros que fazem parte do nosso crescimento,como pessoas,e que para o meu caso particular,recordo com alguma emoção o facto de ter tido o Mendeiros como meu referencial de estimação e de conduta.
Num plano completamente diferente,recordo o Bonifácio como o jovem austero e convicto,com tudo muito bem arrumado,as ideias,o porte,a postura,o saber,assumidamente responsável na execução das tarefas do dia a dia,suficientemente distante a pressupor um tratamento diferenciado,muito entrosado com o espírito e a prática seminarística,enfim,um referencial ,mas que não posso deixar de assumir que me perturbava até,talvez,digo eu,pela diferença que sentia um” puto” bastante irrequieto,porventura pouco talhado e com falta de perfil para a “caminhada”que lhe fora traçada e com a qual travou sérios e complexos combates.
Naturalmente que este quadro que refiro tinha que ter o final feliz que teve,consumando-se aquilo que era previsível com a assistência,já nessa altura,de um propósito muito firme e muito construído por parte do Bonifácio.Eu,doutra forma,enveredei por outro caminho que também foi uma forma de “sacerdócio”,bem vivido e cheio de emoções ,que não sendo tão profundo,espiritualmente,envolveu,também,valores onde está presente a abnegação,o sentimento de partilha,a dádiva e,sobretudo,o amor pelo próximo.Refiro-me naturalmente à vida militar.
Meu caro cónego Bonifácio:foi com muita estima e respeito que fiz esta referência e aproveito para lhe dizer que embora  não me reconhecendo,o ano passado,em Alcains,foi um prazer enorme revê-lo e poder cumprimentá-lo e verificar que continua a ser a personalidade incontornável  dos tempos em que nos cruzámos.
E, já agora,como bem deve recordar,deixe-me dizer-lhe a imagem que tenho bem viva do Bonifácio a cantar o fado do Frei Hermano da Câmara,nos claustros do seminário,e que o coro composto por alguns de nós, tentava acompanhar.Além da voz,recordo a convicção com que o fazia.
Finalmente,quero deixar um grande abraço ao meu grande amigo,António Mateus,com quem me cruzo, de vez em quando,e deixar aqui referido que não apenas eu mas talvez todos aqueles que com ele privaram,o caracterizam como um homem de excelente formação humana,com destaque para a forma sempre cordial e fraterna como se relaciona com as pessoas.
Mas oh António,e reportando-me aos tempos idos de Alcains,onde já nessa altura éramos bastante próximos,eu no 5º e tu no 6º ano,eu olhava para ti envergando tu já a “farda” eclesiástica que te ficava a matar,mas sempre muito tenso e muito pressuroso,com a fácies carregada,a estudar os antigos filósofos e ainda por cima tudo em latim,com dificuldades acrescidas para a memorização dos conteúdos.Divertía-me imenso,também,assistir àquilo que na altura já era uma prática diária para ti que era a leitura do Breviário, como instrumento de oração e meditação,  que ainda por cima também era em latim,mas que tu fazias com muito fervor e empenho.Mostravas-me as partes mais importantes dos textos, muito sublinhadas , mas não pondo sequer em dúvida o fervor com que o fazias,sempre fiquei com a ideia de que era um ritual que comovidamente realizavas mas que pouco te alimentava espiritualmente.Assumo que a circunstância de não ter exercido essa prática ,nesse contexto, me leve a esta demonstração de vil  ignorância e de não ter percebido adequadamente a importância pedagógica e espiritual destas leituras.Aguardo,entretanto,que as novas tecnologias nos permitam usufruir destas leituras de uma forma mais fácil e intuitiva e tornar mais simples o acto de orar. 
No próximo encontro que tiver com o António Mateus,esta vai ser a matéria em cima da mesa ou então desafio-o a utilizar esta fantástica plataforma de comunicação que o nosso camarada e amigo António Colaço tão bem gere e tão entusiásticamente promove.
Retorno ao meu amigo Mendeiros  para lhe dizer da grande satisfação que tive com as suas notícias,agradecendo-lhe,também,o facto de me ter proporcionado a lembrança destas “passagens”,e que provavelmente nos encontraremos,muito em breve.
Um abraço forte
Torres

 

NR - Tenho de meter um pauzinho na engrenagem.Um dos méritos da animus, mas sobretudo deste andarmos por aqui com os nossos tantos passados de braços dados, tem ajudado a encurtar distâncias e, se quisermos,conservada a civilidade que por lá aprendemos,a desfazermo-nos das desnecessárias, como dizer, "reverências"!!!Meu caro João, por que é que o tu-cá-tu-lá que usas com o António Mateus não há-de deixar felizes, porque os conheço, o Bonifácio e o Mendeiros?Hoje, tratar por tu um dos meus "prefeitos" que, então, em mim apenas terá sobrevalorizado os defeitos, não é um feito, é, antes, um preito às capacidades que, nas adversidades, apesar de tudo fomos capazes de descobrir. Respeito quem assim não pense, ou quem só agora comece a pensar no assunto, mas, meu caro João, que não conheço, vês-me a tratar o nosso querido João Heitor por...você?!

Quero sentir-me sempre jovem, ao pé do mais jovem de todos nós!Como se tivesse entrado no Gavião com ele! Estes "tus" de cada um de nós, ajudam a reforçar-nos os nós!

Abraço e...não páres!

antónio colaço

 

 



publicado por animo às 02:40
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