
Ali estávamos nós posando para uma
camera . ( Aliás, uma
camera que nos custou os olhos da cara, mas isso, agora, não vem ao caso! Abençoada, digo, agora, pelos
rastos que nos possibilita seguir dos nossos
rostos iniciais.) Dando-nos a ver, para mais tarde sermos vistos, pelos pais, pelos amigos, por nós próprios. Uma afirmação de indesmentível
identidade. Somos estes e não outros e estamos a cumprir o nosso tempo. Vejam como brincamos, como nos divertimos. Sim, é certo que num outro tempo daquele tempo, num outro momento, aqui não revelado, somos também a dolorosa preguiça matinal arrancada à devassada camarata, a um exposto leito, nosso derradeiro território, onde, pelo sonho, mantínhamos a ligação aos pais distantes, a vergasta zurzindo uma orelha com dificuldades por apreender o x e o y de uma traumatizante matemática, de um impenetrável latim ,ou, mesmo, de um desajeitado traço artístico, para não falar de um angustiante solfejo. O que ainda não sabíamos é que alguns anos mais tarde valorizaríamos tanto estes pequenos pedaços daguerreótipos perante dias cheios de mil tecnologias que, no instante de um clic, nos permitem dar a volta ao planeta.
O desconforto que sentimos por nos vermos
aqui, assim, confrontados com os sinais do tempo nos nossos rostos
retratados, é algo que devamos temer, evitar, ou, porventura, estimular, afirmando ao mundo, que muitos ventos e marés depois, da vida, o Cabo da Boa Esperança conseguimos dobrar?O escriba não tem dúvidas, nem receios, apenas, se quiserem, alguns imaginados rodeios que possam impedir-vos estes... passeios.Se quiserem, dúvidas ao largo, façamos deste sítio o largo dos nossos mais que desejados recreios. A net pode, de facto, voltar a aproximar-nos. A cada instante, todos os instantes que achemos importantes partilhar.Para o que der e vier,ala, que se faz tarde, façamo-nos ao mar! Estas são as imagens possíveis do encontro da Ericeira. Um mar a que queremos voltar, com o espírito quinhentista dos nossos antepassados. É que, quase dez anos passados, todos já concluímos que as especiarias que trouxemos dessa Ericeira de todos os afectos reencontrados, estão mesmo a acabar . Falo-vos da indiana pimenta, do aurífero Brasil com que queremos voltar a temperar os dias.Ei, marinheiros de gema, vossas mangas arregaçai, não tarda Março 2010 para voltarmos a embarcar!antónio colaço 

