Domingo, 24 de Novembro de 2013
SAUDADES DE FUTUROS S.MARTINHOS escreve José Centeio

Fotos ZVD

 

O S. MARTINHO JÁ LÁ VAI...

FICA-NOS A SAUDADE E O DESEJO DE NOVA CHAMADA

 

O S. Martinho já lá vai, é verdade, mas resta-nos a lembrança de uma tarde bem vivida e o desafio da saudade para muitas outras que ainda nos restam viver, se Deus permitir e nós deixarmos. A pretexto do S. Martinho e porque, sublinha o Mendeiros, a tradição ainda marca o compasso, lá foram uns quantos de nós a caminho do S.Remo ali para as bandas do Saldanha a quem o linguajar democrático retirou o título de duque. Animava-nos, é certo, o repasto, a anunciada castanhada como manda a tradição, as surpresas pré-anunciadas, mas sobretudo o que nos fazia acelerar o passo era o calor do abraço dos velhos – sempre novos – companheiros de aventura. Há coisas que não se contam, apenas se vivem, porque a vida, por maior que seja o esforço e a criatividade, não cabe no espaço da nossa racionalidade. A ausência de alguns dos que aí gostaria de encontrar foi, em parte, compensada pela presença inesperada de outros.

 E como a vida tem um não sei quê de castiço, lá acabei por encontrar o nosso amigo Castiço vindo das terras graníticas de Monsanto. Conversa puxa conversa, lá fomos desfiando as pequenas aventuras da vida- umas melhores, outras piores -, marcando novas falas para um qualquer dia ainda não anunciado.

Aliás, surpresas foi coisa que não faltou neste nosso encontro de S.Martinho.

Para além das já tão propagandeadas curvas ondulantes e provocadoras da sevilhana (da dança, entenda-se) e da presença sempre querida do Padre Álvaro, não faltou uma sessão, mesmo se improvisada, de autógrafos e o anúncio profético da retoma dos encontros da Buraca. Mas vamos por partes, não vá ainda alguém atrever-se a pensar ter sido a água-pé a turvar-me o juízo. O Manuel Pires Antunes decidiu brindar alguns de nós – fui um dos felizes contemplados – com a sua incursão histórica pelo poder autárquico, melhor dizendo, com o seu livro sobre a história da recentemente extinta Freguesia de São Francisco de Xavier, agora casada ou amancebada com Santa Maria de Belém, por imposição da nova Reforma Administrativa da cidade de Lisboa. Deste casamento nasceu uma filha, de seu nome Belém, que não fora por todos abençoada já que outras preferências de nome se delinearam, embora sem qualquer influência sobre os padrinhos de baptismo, o que acabou por enterrar de vez o Restelo.

Presumo que tão justa e equilibrada pretensão tenha causado nos padrinhos de baptismo da agora recém-nascida frequesia, o receio de ressuscitar a voz desse Velho do sítio, outrora cantado pelo poeta, mas que nestas andanças de reformas administrativas manda a prudência que não se ressuscitem tais presságios.

Pela parte que me toca, bem-haja, Manuel, por me recordares a importância do poder autárquico no trabalho de proximidade com as populações e das pessoas que, democraticamente, o exercem com dedicação, empenho e amor ao território e às suas populações, pois assim se aprende, se constrói e se aprofunda o que chamamos democracia.

Finalmente, para despertar vivências de outrora, anunciou o Mendeiros com ar quase solene, a reactivação dos encontros da Buraca. Na impossibilidade de se voltar  à Buraca e como no delegar é que reside muita da sabedoria, ficou o amigo Padre Álvaro incumbido de encontrar novo local para tão desejado reencontro. Sendo eu jovem caloiro nestas andanças não sei exatamente o que isso significa, embora tenha podido avaliar, pelas reações e entusiasmo de muitos dos presentes, que a tradição e os ritos são importantes e marcam realmente o compasso. Ficarei a aguardar que me satisfaçam a curiosidade.

Com o balanço de tanta novidade, houve até quem perguntasse para quando o encontro de Natal, ao que o Mendeiros respondeu, meio desprevenido pela ousadia, que esse não constava dos anais da tradição deste tão digno grupo. 

Satisfeita a curiosidade dos ausentes, aqui me despeço até, quem sabe, a um próximo encontro na Buraca ou qualquer outro local onde possamos viver e partilhar um pequeno pedaço do resto das nossas vidas.

Sejam felizes em seara de gente.

José Centeio

 

 

COMENTÁRIO

 

Afogado em andanças mil, não me foi possível subir ao San Remo mas folgo em saber, por teu intermédio, Zé, a boa notícia, não do regresso à Buraca (é uma pena que o local não possa manter-se.Será que ficou inoperacional com as obras?) mas da retoma dos Encontros em Lisboa no último sábado de Janeiro como desde sempre aconteceu.

Foi, aliás, na Buraca que em mim se acendeu o desejo de tudo fazer para contribuir para as tantas pontes hoje lançadas entre as diversas gerações de nós.

Foi, aliás, nesse sentido, que propus, depois do encontro de Portalegre, que o encontro do ano seguinte tivesse lugar em Lisboa. Uma espécie de não perder a dinâmica da Buraca tendo em conta, para o melhor e para o pior, que é por Lisboa que se encontra a grande maioria dos ex-alunos, alguns deles, com reconhecida vontade de se aproximarem depois de muitos anos de afastamento.

Sem prejuízo da manutenção e enriquecimento dos ENCONTROS DE MAIO.

Por mim, quero aplaudir.

E que tenhas sido tu, Zé, a dar a notícia, tanto melhor.

És o último e mais perfeito exempo de quem, tendo chegado há tão pouco tempo, afortunadamente,  tanto por todos nós tem feito.

Obrigado, Zé.

antónio colaço 

 



publicado por animo às 23:32
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