Sábado, 21 de Fevereiro de 2015
PARA ABRANTES QUANTO ANTES. Mário Pissarra evoca Pe Álvaro e abre convocatória para Abrantes em 16 de MAIO

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Há muito que devia ter dado notícias sobre o Encontro de 16 de Maio. Mas o tempo não me pareceu oportuno.

Não quis interferir com o espírito da Buraca e a bem sucedida iniciativa do Encontro em Lisboa e, muito menos ainda com as evocações do Pe. Álvaro.

Relativamente ao seu funeral gostaria de agradecer ao Carlos Mingacho a iniciativa de nos fazer representar com as flores. Combinei com ele que no próximo Encontro de Maio saldaríamos o seu adiantamento (atendendo à franciscana situação da Associação dos Antigos Alunos ilibou-nos dos respectivos juros). Este é um dos assuntos que trataremos na reunião após o almoço e proponho que se crie um pequeno fundo, pois nestas circunstâncias há sempre alguém da associação que nos pode representar na ocasião. Outro assunto a agendar para essa ocasião é a discussão e aprovação dos estatutos. Talvez fosse conveniente os proponentes irem estudando uma metodologia adequada e expedita de acordo com as circunstâncias em que a mesma irá decorrer.

 

Fiquei contente por ter encontrado tantos sacerdotes da diocese, de diversas faixas etárias no funeral do Pe. Álvaro. Mas muito mais contente fiquei ao constatar que a gratidão não é uma palavra vã. Não foram apenas os colegas sacerdotes, ex-alunos e condiscípulos, o muito povo de Alcains, mas impressionou-me, sobretudo, a gratidão das comunidades que serviu ao longo da sua vida: grupo de casais, paroquianos e os jovens do Cenáculo. Já no cemitério, após a corpo descer à terra, emocionado e inspirado o João Oliveira fez o elogia fúnebre do homem e alcainense invulgar, do estudante brilhante e do sacerdote exemplar. Um momento marcante para muitos dos presentes.

 

A minha memória também conserva algumas recordações do Pe. Álvaro. Terminada a teologia chega a Alcains e foi meu professor de Religião e Moral e de Matemática. Vá-se lá saber porquê, ficou mais o professor de Religião e Moral do que de Matemática. Com a teologia fresquinha, fez das aulas de Religião e Moral mini cursos de Teologia. Fazia-o com um entusiasmo contagiante. Ditava-nos inúmeros apontamentos com datações pretensamente científicas. Mais tarde, enquanto estudante de Teologia, quando deparava com pretensas cientificidades de igual teor que não me convenciam lembrava-me do Pe. Álvaro. O que ele me ensinara com tanto enlevo e entusiasmo há muito deixara de ser defensável. Cá para dentro ria-me e pensava: lá virá o tempo! É que o tempo não é só o escultor de homens como nos ensinou M. Youcenar, mas também um escultor de verdades como antes nos ensinara Hegel e o Tempo continua a confirmar. Não é raro esquecermos que, de vez em quando, os nossos conhecimentos e certezas precisam de uma enxaguadela.

Lembro-me de num teste nos ter colocado uma pergunta sobre uma das questões mais espinhosas da teodiceia. Anunciou-a assim: se Deus é tão Bom e Misericordioso porque criou as pulgas que tanto nos chateiam? Ainda hoje me recordo da resposta que dei. Como professor de matemática ficou-me na memória um exercício que não consegui fazer (aprender matemática era, naquela época e no seminário, fazer os exercícios do J.M. da Palma Fernandes). Quando lhe perguntei disse-me que ainda não tinha conseguido fazê-lo. Como era o seu primeiro ano de Professor, o Pe. Álvaro não escondia que ia uns capítulos à nossa frente.

Mas eu não desisti. Estava a rezar o terço e fez-se luz. Eureka! A tangente não era externa ao círculo mas interna. Assim que pude ir à sala de estudo verificar assim o fiz. Maravilha das maravilhas. Batia tudo certo. No dia seguinte disse-lhe que já tinha resolvido o problema. Perguntou-me como tinha descoberto. Por precaução, o lugar da descoberta deixou de ser a capela e passou a ser o dormitório e ele exclamou: como não nos tínhamos lembrado disso! Esta minha mania de ocupar a mente durante as orações com os problemas que não conseguia resolver era uma constante. Lembro-me de já em Portalegre, quando aprendi a jogar xadrez, e sempre que perdia, as completas para além de episódicos movimentos labiais, serem o refazer do jogo para perceber em que jogada errara. Muitos dos testemunhos aqui deixados por ex-alunos confirmam os pressentimentos: estava perante alguém com um extraordinário potencial docente.

De Alcains recordo-me ainda de um Pe. Álvaro muito preocupado em ajudar os seus irmãos. Lembro-me de uma papelaria que ele ajudou a criar e do seu irmão Elias. O Elias era mais ou menos da nossa idade e arranjava uns rapazes para jogarem futebol connosco no campo do Alcains. Numa dessas futeboladas em que o Pe. Álvaro era o árbitro, no decurso do jogo há um adversário que me agarra e a minha camisa fica sem botões. O árbitro não assinalou qualquer falta. Virei-me para ele e exclamei:

-Porra, sr. árbitro! Isto não é falta?

Sorriu maliciosamente, e o jogo continuou. Numa ocasião, o Pe. Álvaro em vez de nos levar para o campo de futebol, mandou-nos entrar para a casa do povo. Assistimos a uma conferência, proferida por um Jornalista do Primeiro de Janeiro sobre marcianos. Eu que nem nunca tinha ouvido falar em marcianos, perante descrições tão realistas já estava a ver os marcianos a avançar sobre Alcains vindos do Tanque das Freiras, dos Escalos de C. Barnco …. Terminada a delirante e fastidiosa conferência, durante as habituais palmas que o dever cívico impõe, dá-se um dos momentos mais hilariantes a que já assisti. Enquanto o jornalista saía do palco, surge um senhor a chamá-lo, batendo palmas só com o centro das mãos sem que os dedos se tocassem e a dizer: venha cá que nós temos aqui uma taça| Figuras que um presidente de junta tem de fazer…

Uma vez encontrei o Pe. Álvaro na Idanha. Foi o primeiro contacto fora da situação de professor – aluno. Foi a fase em que ele vivia entusiasmado e trabalhava com os cursos Dominique. Tinha ido prestar assistência espiritual a algumas pessoas que haviam feito o curso. Fomos beber uma imperial e aí comecei a descobrir outras facetas ricas e interessantes do Pe. Álvaro.

Quando cheguei a Portalegre e folheei o livro de finalistas, verifiquei que os seus condiscípulos sublinhavam o seu carácter aventureiro, o recurso à boleia para se deslocar, o homem de iniciativa. Depois, soube que foi estudar para Lisboa para o Técnico e nunca mais soube dele. Quando o reencontrei no nosso blogue, verifiquei que as minhas suspeitas uns anos antes eram verdadeiras. Estive a almoçar no centro comercial do Lumiar e pareceu-me que era ele numa mesa afastada. Devia ter vencido as dúvidas.

Gostei de olhar para estes episódios do passado, mas recuso-me a ficar preso nele.

O meu contacto com o Pe. Álvaro deu-se quando ambos ainda tínhamos muitas possibilidades pela frente. Ele deixou-nos e eu agora já não tenha assim tantas possibilidades, mas já me vão sobrando realidades. Todavia, procuro viver o meu tempo com alegria e teimo em não deixar que as recordações substituam as ilusões.

Sim, ainda tenho muitas ilusões e projectos.

 

E o projecto premente que me une a todos é o próximo Encontro de 16 de Maio.

Já estão em andamento alguns preparativos.

Como o António Colaço, em guidinhesa redacção, foi o primeiro a inscrever-se antes de as inscrições abrirem, vamos presenteá-lo com a possibilidade de tocar no órgão de Tubos da Igreja de S. Vicente.

Em breve haverá mais novidades.

 

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Mário Pissarra

NR
Muito trabalhinho para recuperar o órgão de S.Vicente, meu caro Mário, no qual, aliás - não tantas vezes quantas desejei- já pude deslizar os meus cada vez mais artríticos dedos
Tive o privilégio de integrar a equipa de lobbyng que conseguiu, em Outubro de 1984, tal façanha junto do Ministério da Cultura,  de Coimbra Martins, na sequência da comemoração nacional que pela primeira vez escolheu Abrantes para comemorar o Dia Mundial da Música.
Relembro, entre outros, o meu querido amigo Eduardo Campos.
Espero, então, homenageá-lo, bem como ao Pe Álvaro e a todos os que de, entre nós, já "partiram".

2

Não tens de te sentir agarrado ao passado mas creio que se tivesses "vencido as dúvidas" na cena que relatas do Centro do Lumiar, não tenhas dúvidas que o Álvaro era rapaz para te chamar a um envolvimento especial na sua fantástica obra social.

Bom trabalho, rapaz!

 

antónio colaço

 



publicado por animo às 20:55
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